Urna eletrônica / Foto: Reprodução / Internet
Da eleição de 2018 para essa, em 2022, o número de candidaturas femininas aumentou em pouco mais de 5% em Alagoas. A porcentagem é retirada dos dados disponibilizados pela Justiça eleitoral.
Esse ano, dos 467 candidatos, 156 são do sexo feminino, o que representa 33,40%. Em 2018, esse número era de 148 candidatas mulheres. Quando analisada a representação por partido, apenas três indicaram mais mulheres do que homens, sendo a Unidade Popular, Cidadania e Psol, e outros muitos cumpriram a cota de 30%.
Representante do partido Unidade Popular (UP), a jornalista Lenilda Luna explica que a sigla já nasceu diante de pautas onde a maioria das lideranças são mulheres, como os movimentos sociais por moradia, emprego, educação, distribuição de renda.
“Em outros partidos, as mulheres periféricas lideram as lutas, mas no momento das escolhas de candidaturas ou postos de comando, elas são preteridas. Isso não acontece na UP, onde as mulheres ocupam espaços importantes nas direções partidárias e são também a maioria das candidaturas. No nosso partido, não é um crescimento pequeno. É uma representação real. Entre nossas candidaturas, 68,33% são de mulheres. Em segundo lugar, está o PC do B, com 45,10%. Nenhum outro partido tem a maioria de candidaturas de mulheres, nem mesmo o Partido da Mulher Brasileira, que, apesar do nome, só tem 31% de candidatas”, enfatizou.
Candidata a deputada federal pela UP, Lenilda Luna afirma que em Alagoas ainda há muito o que mudar, já que o costume das oligarquias alagoanas é colocar esposas, filhas ou outras representações femininas que estejam próximas aos candidatos que chefiam o partido, com pouca autonomia para tomar as próprias decisões.
“Quando uma mulher se destaca, corre o risco de sofrer violência política de gênero como vimos num episódio recente entre candidatos da mesma coligação. Imagine quando são adversários políticos. Não podemos tolerar isso. As mulheres precisam ocupar os espaços políticos que lhes cabe e serem respeitadas”, colocou.
Única candidata ao Senado
Para a única representante feminina ao Senado Federal, Suzana Souza afirma que tem aumentado a percepção feminina em relação à representatividade da nossa classe na política.
De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nas eleições deste ano, em 96 dos 102 municípios alagoanos, as mulheres formam a maioria do eleitorado.
Dados ainda informam que os municípios de Arapiraca e Palmeira lideram esse número com 55,27%, seguidos de Maribondo com 54,15%. “As mulheres representam 1.2 milhão dos 2.325 milhões dos aptos a votar, o que corresponde a 53, 37% do estado. Temos necessidades que talvez só a sensibilidade de uma outra mulher possa compreender”, destacou Suzana.
Ela enfatiza que esse crescimento de 5% na quantidade de mulheres para cargos eletivos, talvez pela propagação da informação hoje se dar de forma mais rápida pela internet, algumas mulheres passaram a ter mais acesso e despertaram tanto para a política, quanto para direitos fundamentais.
“O TSE ainda ajudou com a campanha de incentivo, lançada em junho, ” Mais mulher na política”. Esse número seria ainda maior se os partidos no geral não se tornassem um obstáculo, nós mulheres normalmente somos chamadas para cumprir uma cota de gênero, mas não convidadas a longo prazo para participação ativa na vida partidária, com posições de destaque”, concluiu Suzana.
Na disputa pela Majoritária
Concorrendo à vaga de vice-governadora pelo Psol, Eliane Silva ressalta que o número do eleitorado feminino é alto no país inteiro, no entanto mesmo com mulheres no parlamento, poucas representam as mulheres trabalhadoras, pretas e periféricas.
“Nós mulheres precisamos ocupar esses espaços de poderes para poder defender a nossa pauta, porque quem está, não está representando. O homem não vai defender nunca a pauta das mulheres. Então as mulheres começam a ter agora uma visão de que é importante elas estarem nesses espaços de poderes, para poder apresentar a nossa pauta do dia a dia, da vida”, disse ela.
Eliane disse que mesmo que mulheres já ocupando postos na política, é preciso ter a sensibilidade de colocar em pauta assuntos do dia a dia, principalmente da mulher periférica, da mulher do campo, da mulher que luta pelas causas sociais.
“Sei como as mulheres sofrem. Vem a questão da fome, da miséria. Quem é que está na linha de frente debatendo a vida dessas mulheres nos territórios periféricos, na reforma agrária, na luta pela uma cidade justa, humana, igualitária”, disse Eliane.
fonte: cadaminuto





