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Áreas com queda na cobertura vacinal têm alta de doenças infecciosas

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Gabriel Moreira/Secom Maceió

A pandemia de coronavírus tem concentrado as atenções mundiais desde que foi declarada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O Sars-CoV-2 já matou mais de 4 milhões de pessoas em todo o mundo – quase 550 mil apenas no Brasil. Entretanto, ocultadas pela tragédia, outras doenças virais voltaram a preocupar, crescendo na esteira da queda da cobertura vacinal, que deveria proteger a população contra elas.

Esse é o caso da hepatite A e da paralisia flácida aguda, causadas por alguns vírus – um exemplo de enfermidade é a poliomielite. Quando se olha o país como um todo, as ocorrências dessas doenças estão diminuindo, mas essa não é a realidade quando são analisadas as notificações por município. No caso da paralisia flácida aguda, 92 cidades tiveram mais casos em 2019 e 2020 do que no biênio de 2017 e 2018. Em relação à hepatite A, foram 312 localidades com alta nas notificações.

Esse crescimento nos registros vem como consequência de uma diminuição na base vacinal. No Brasil como um todo, a cobertura vacinal contra a poliomielite caiu de 84,7% do público-alvo, em 2017, para 75,9%, em 2020, uma redução de 8,9 pontos percentuais. Já no caso da hepatite A, a redução foi de 78,9% para 74,9% no mesmo período.

A cobertura vacinal mede a proporção do público-alvo da campanha de imunização que recebeu a vacina durante o ano.

“Desde 2015 há mais ou menos uma curva de cobertura vacinal em franca queda”, informa o infectologista do Hospital Universitário de Brasília (HUB) André Bon. O movimento fica evidente quando a cobertura vacinal é colocada em um gráfico.

“A principal razão é a forte crise econômica que o Brasil entrou, dificultando o acesso a unidades de saúde”, avaliou. Ele cita como exemplo o sarampo. “Era uma doença erradicada no Brasil e voltou a ter circulação por conta de baixa cobertura vacinal”, diz. A reportagem pediu ao Ministério da Saúde informações sobre casos de sarampo, mas não teve resposta até o momento. O espaço segue aberto.

Um boletim epidemiológico do Ministério da Saúde de março deste ano aponta que “em 2018, houve a confirmação dos primeiros casos de sarampo, após o registro dos últimos casos da doença no ano de 2015, e o recebimento da certificação da eliminação do vírus em 2016?.

Em 2018, foram 10,3 mil ocorrências da infeção viral. Em 2019, esse número subiu para 20,9 mil. Com a pandemia de Covid-19, a quantidade caiu, em 2020, para 8,4 mil. “No ano de 2019, após um ano de franca circulação do vírus, o país perdeu a certificação de ‘país livre do vírus do sarampo’”, prossegue o boletim.

Paralisia

A cidade com a maior alta nos registros de paralisia flácida aguda entre os biênios de 2017-2018 e 2019-2020 foi Maceió (AL). A capital alagoana teve oito casos entre 2017 e 2018 e 16 nos dois últimos anos completos. No período, a cobertura vacinal contra a pólio no município caiu 2,4 pontos percentuais.

Em segundo lugar está Santos (SP), que não teve eventos de paralisia flácida aguda entre 2016 e 2018. Em 2019, foram quatro, e, em 2020, houve outro. Entre 2017 e 2020, a cobertura vacinal contra a doença na cidade paulista caiu 16,4 pontos percentuais.

“Existem outros vírus que podem causar a paralisia flácida aguda. Não é uma manifestação exclusiva da pólio. É possível que seja outros vírus que tenham causado os casos, mas tem que entender como foi feita a investigação”, ressalvou Bon. Ele reforça que o vírus da pólio foi erradicado no Brasil.

O município no litoral de São Paulo também aparece na análise com eventos de hepatite A. Foram 27 ocorrências da doença apenas em 2020. Nos três anos anteriores somados, tinham sido notificados 19 infecções. No período, a cobertura vacinal passou de 82,4% para 70,9%

A maior alta, entretanto, aconteceu em Boa Vista (RR). Na capital nortista, a cobertura caiu de 90,1%, em 2017, para 73,6%, em 2020. Os casos de hepatite A, por sua vez, saíram de 6, em 2017, para 26, em 2018; 46, em 2019, e 5, em 2020.

O infectologista do HUB não está otimista quanto ao futuro. “A não ser que a gente passe a ter campanhas bastante claras estimulando a vacinação, não estou otimista. Temos tido posicionamento oposto a isso de algumas autoridades, disseminação de notícias falsas que afastam pessoas da vacinação, o que é muito ruim”, lamentou. Procurado, o Ministério da Saúde não respondeu até o fechamento desta reportagem.

fonte: Gazetaweb

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