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Contas atrasadas e nenhuma perspectiva: ambulantes de Maceió dizem estar ‘sufocante’ a vida na fase vermelha

Fonte de renda de trabalhadores está comprometida, pois já enfrentam dificuldades financeiras ao escolher qual boleto pagar
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PRESTAÇÃO DE CONTAS

Ambulantes relatam dificuldades financeiras durante fase vermelha foto: Pâmela de Oliveira

O segundo fim de semana em que ambulantes ficaram impossibilitados de trabalhar na areia das praias de Maceió trouxe medo e insegurança aos trabalhadores que dependem do movimento do público na orla da capital. Podendo funcionar durante a semana, apenas no sistema de “pegue e leve”, eles contam que tem sido necessário escolher qual conta pagar nas despesas diárias.

“Está sendo muito difícil. Começou com a diminuição de guarda-sol, depois tiraram dois dias na semana e, agora, estamos no ‘pegue e leve’, e acaba prejudicando a gente”, disse Marcelo “Batata”, que trabalha vendendo petiscos na orla. Ele conta, ainda, que já tem sido necessário fazer duras escolhas, em razão do baixo faturamento.

“Tenho três contas atrasadas, minha esposa precisa fazer uma cirurgia, mas já desmarcamos. Tá dando pra vender aos poucos, mas, a cada dia que passa, as contas apertam mais ainda. Tá muito sufocante, estou preocupado com o que pode vir pela frente”, disse.

Já Jeferson Fernandes, que trabalha junto com o pai, vendendo bebida na orla de Maceió, conta que ainda não precisou deixar de quitar as contas de casa, mas que esta possibilidade já não está tão distante com a ausência de trabalho aos finais de semana.

“A situação já está difícil, e, a cada dia que se passa, fica mais difícil ainda. A gente já tá bem perto de não conseguir pagar as contas. Porque quem tinha alguma economia já começou a gastar para dar conta das dívidas e, principalmente, do aluguel. Tudo o que nós conseguimos fazer aqui vai todo para dentro de casa, e, sem conseguir trabalhar nos fins de semana, já tem prejudicado muito”, contou.

Sem barracas e guarda-sóis, banhistas se distribuem sem organização em faixa de areia — Pâmela de Oliveira

Para alguns, o que se vê, agora, é um descontrole na distribuição de banhistas na faixa de areia. José Carlos, que aluga cadeiras e vende petiscos na orla, conta que, quando havia a possibilidade de distribuir os gurda-sóis, era possível manter um padrão de distanciamento, mas que, sem isso, as pessoas que têm frequentado se aglomeram sem qualquer controle.

“Nós temos família que depende deste nosso trabalho, conta pra pagar, vivemos de aluguel e nós só queremos trabalhar. Enquanto tinha a regra de limite de guarda-sol, a gente conseguia ter um controle e manter um padrão, mas, sem as cadeiras, os clientes ficam todos juntos”, disse o ambulante.

Ele também vê a necessidade de deixar de pagar as contas de casa como algo próximo. “Ainda não cheguei a deixar de pagar as contas, mas, dessa forma que tá indo, eu vou precisar me apertar um pouco. O final de semana são os nossos dias mais lucrativos e são os dias que mais ajudam a gente, sem eles fica muito complicado. A gente fica na esperança de voltar ao normal, e acabamos não conseguindo trabalhar”, contou.

O ambulante José Pedro, conhecido como “Zito”, trabalha há mais de 20 anos com venda de água mineral e água de coco na região, e conta que já não teve a mesma chance. Ele diz que já teve de escolher quais despesas não poderão ser pagas nos próximos dias. “Estamos tendo que escolher qual conta pagar, deixando algumas de lado, até quando entra mais dinheiro para continuar pagando. Essa é a minha única fonte de renda, mas estou segurando, tentando levar a vida de alguma forma. Hoje até teve um movimento melhor depois do fim de semana parado”, disse.

A categoria pede, ainda, a atenção dos governantes para a situação que vem sendo vivenciada por eles com as limitações impostas pelo decreto governamental. “Não tá fácil pra ninguém, mas a gente respeita o decreto. Nós queremos apoio dos governantes e dos órgãos competentes para ver que ajuda a gente pode receber, porque nós dependemos deste trabalho”, disse José dos Santos, que, há 14 anos, trabalha com passeios às piscinas naturais da Pajuçara.

O novo decreto governamental instituído na última quarta-feira (17) tem duração de 14 dias e prevê a proibição de acesso a praias, lagoas e rios, inclusive os calçadões, durante os fins de semana, para qualquer tipo de atividades comerciais ou sociais, inclusive atividades físicas. Durante a semana, as atividades comerciais nesta região estão permitidas, apenas, na modalidade “pegue e leve”, não podendo haver a colocação de cadeiras, guarda-sóis e barracas na faixa de areia.

fonte: Gazetaweb

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