Em Alagoas, cresce procura por tratamento voluntário para dependência química
Entre o período de janeiro a julho deste ano, a procura por tratamento voluntário para dependência química cresceu em Alagoas, quando comparado o mesmo período de 2021. Os dados são disponibilizados pela Rede Acolhe, programa para tratamento de dependentes químicos em Alagoas.
Do total dos números, a maioria da procura tem sido feita por homens. De janeiro a julho foram feitos 2.343 encaminhamentos para as comunidades terapêuticas, sendo 2.150 homens, 91 mulheres e 102 adolescentes de ambos os sexos.
Em 2021 foram feitos um total de 2.123 encaminhamentos, o que mostra um crescimento de 10,5%. No mesmo caminho, mas fora das comunidades terapêuticas, o Grupo Resgatando Vidas para Jesus, com sede no bairro Vergel do Lago, tem sido uma mão amiga para famílias que lidam com o tratamento da dependência química e com ex-dependentes. O acolhimento do grupo tem dado exemplo de superação e esperança para tantas pessoas na região.
Cláudia Lúcia, 52 anos, é mãe de um ex-dependente químico e faz parte do grupo há 2 anos. A dona de casa conta que aos sábados participa das reuniões com o intuito de se fortalecer e aprender ainda mais sobre o assunto. “Não sabia lidar com meu filho usuário, depois que passei a frequentar as reuniões aprendi a não criticar e entendi que não resolveria com xingamentos. Hoje posso dizer que tenho muito orgulho dele, o filho que era motivo de vergonha, hoje é motivo de orgulho. A felicidade que hoje possuo desejo que outras mães também sintam’’, declara.
De acordo com Cláudia, a relação no período em que seu filho era viciado foi se tornando difícil a ponto de não existir mais cumplicidade entre mãe e filho, e ele ser expulso de casa.
Juliana Melo, 43 anos, é irmã de um dependente químico que há mais de um mês está internado em uma clínica. Seu irmão tem 47 anos e, por 30 anos, foi viciado. Segundo Juliana, antes de fazer parte do grupo de autoajuda as dificuldades em não saber lidar com a situação dificultavam a convivência. “Quando convivemos com um dependente nos tornamos co-dependentes, porém não temos conhecimento disso. É muito complicado saber que tem alguém tão próximo de você e não saber o que fazer ou não ter a quem recorrer”, ressalta.
Há 7 anos desintoxicado, José Carlos é frequentador do grupo há cerca de 2 anos. O motoboy afirma que hoje tem a oportunidade de resgatar viciados que se encontram na mesma situação em que ele esteve. ‘’É um privilégio você pular essa barreira do vício, e mais ainda incentivar outras pessoas a seguir’’.
José decidiu procurar tratamento após sofrer uma overdose. “Lembro que meu nariz sangrou a noite inteira, então percebi que eu deveria parar naquele momento. Após alguns dias eu já estava em uma abstinência que cheirei o pó da parede da minha casa”, disse.
Recuperado e fazendo parte das reuniões, evidencia a importância que o grupo possui em acolher e orientar os familiares, e os dependentes químicos após sua recuperação. ‘’O grupo resgatando vidas não só abraçou a mim, mas a minha família’’, reforça.
Além dos acompanhamentos e reuniões com os familiares, o projeto recebe doações de alimentos e são realizadas entregas de cestas básicas para algumas famílias e marmitas para os moradores de rua.
Exemplo de superação, o fundador do Grupo Resgatando Vidas para Jesus, Adalberon dos Santos, criou o projeto após ter sido viciado em bebida alcoólica e compreender a necessidade de apoiar os familiares de dependentes que não sabem lidar com a situação. “Entendi a necessidade de não nos preocuparmos só com os dependentes químicos em recuperação, mas também em como acolher os seus familiares que também precisam de todo o apoio’’.
Segundo Adalberon, ver a recuperação de um ex-viciado é um dos motivos para seguir em frente. “É muito gratificante quando vejo o sorriso nos rostos dos familiares. Muitos que se recuperam também frequentam as reuniões com seus parentes, pois eu acredito em todo o usuário e que o ser humano precisa ter uma segunda oportunidade’’, afirma.
fonte: cadaminuto




