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Em contraste com Queiroga, Barra Torres expõe divergências com Bolsonaro

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PRESTAÇÃO DE CONTAS

Jefferson Rudy/Ag. Senado

O presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, expôs nesta terça-feira (11), em depoimento à CPI da Covid, divergências com o presidente Jair Bolsonaro em relação a métodos de enfrentamento da pandemia do coronavírus.

Barra Torres é o quarto depoente da comissão parlamentar de inquérito do Senado. Ele foi convocado para prestar esclarecimentos principalmente sobre a autorização de vacinas contra a Covid-19.

Durante a audiência, o chefe da Anvisa foi questionado sobre diversos comportamentos recentes do presidente da República — com quem disse ter “amizade” — relativos à pandemia, como provocar aglomerações em eventos públicos e criticar vacinas.

Além disso, Barra Torres afirmou

  • que aguarda documentos complementares para autorização das vacinas Sputnik e Covaxin, que ainda não obtiveram o aval da Anvisa;
  • que em reunião no Palácio do Planalto rejeitou pedido para alteração da bula da cloroquina, a fim de incluir a Covid como doença para a qual o remédio seria recomendado — estudos científicos já comprovaram que a cloroquina é ineficaz no tratamento da Covid;
  • que se arrependeu de ter comparecido a manifestação política com o presidente Jair Bolsonaro e que não fará mais isso.

Bolsonaro

Barra Torres evitou envolver Bolsonaro nas respostas, mas evidenciou posição contrária às atitudes do presidente.

Ele chegou a demonstrar arrependimento por ter aparecido ao lado do presidente em uma manifestação pró-governo no início da pandemia, em março de 2020.

Questionado se compartilha do posicionamento do presidente contrário às medidas de distanciamento social e à utilização de máscara, Barra Torres ressaltou a “amizade” que mantém com Bolsonaro, mas disse que a conduta do presidente difere da dele.

“As manifestações que faço têm sido todas no sentido do que a ciência determina. Na última ‘live’ de que participei com o presidente, inclusive, permaneci o tempo todo de máscara, o que causou até uma certa estranheza por parte de alguns integrantes da imprensa. Então, são formas diferentes, de pessoas diferentes”, afirmou.

A atitude contrasta com o posicionamento do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que, em depoimento à comissão na semana passada, evitou discordar do presidente em diversos temas – por esse motivo, senadores defendem que o ministro seja novamente convocado a falar à CPI.

Barra Torres está na Anvisa por indicação de Bolsonaro. O mandato dele na agência vai até o final de 2024.

Questionado pelo senador Jorge Kajuru (Podemos-GO) sobre como reagiria diante da possibilidade de Bolsonaro ficar descontente com suas declarações à CPI, Barra Torres disse que não mudará de posição.

fonte: Gazetaweb

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