A Hora da Notícia

Especialistas alertam para riscos de queda da cobertura vacinal e esclarecem dúvidas sobre vacinas

Teste Banner Anuncio Titulo Post

Especialistas alertam para riscos de queda da cobertura vacinal e esclarecem dúvidas sobre vacinas

Entre todas as consequências da pandemia, a interrupção de programas de imunização e a queda da cobertura vacinal desde 2020, em todo o mundo, vêm preocupando especialistas. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), esse período deixou pelo menos 80 milhões de crianças menores de um ano não vacinadas ou com a vacinação incompleta. 

No Brasil, um estudo da Confederação Nacional de Municípios (CNM) realizado este ano revela que a imunização está abaixo de 70% em quase todas as vacinas disponibilizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), para o público infantil e adulto. 

Relatórios do Programa Nacional de Imunizações (PNI) também apontam que, em dois anos, a cobertura vacinal contra sarampo, caxumba e rubéola (Tríplice Viral) caiu de 93,1%, em 2019, para 73,07%, em 2021. A vacinação contra poliomielite baixou de 84,2%, em 2019, para 69,43%, em 2021, apenas para citar alguns números. 

A reportagem tentou obter os dados referentes a cobertura vacinal em Alagoas, mas até o fechamento da matéria, eles não foram disponibilizados.  

Ouvida pelo CadaMinuto, a alergista e imunologista Clarissa Soares Tavares alertou que, a longo prazo, essa queda na cobertura vacinal pode causar o retorno de doenças já erradicadas, como a varíola, ou de algumas parcialmente erradicadas, a exemplo da poliomielite, sarampo, rubéola e difteria.   

Ela avaliou ainda que para a retomada da cobertura vacinal é necessário “estimular o retorno da vacinação na consulta médica, além de reforçar a informação por meio de propagandas na mídia”.  

A pedido da reportagem, a médica listou as vacinas constantes no “calendário básico” ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adultos, explicando o intervalo entre as doses e para que serve cada imunizante. E defendeu também que pelo menos duas vacinas para a população adulta deveriam constar do calendário, contra a Herpes Zoster e Meningocócica B. 

Médica Clarissa Tavares

Calendário básico infantil  

Segundo Clarissa, crianças de 0 a 2 anos, devem tomar a BCG, que combate a tuberculose e é aplicada quando o bebê nasce, assim como a da Hepatite B, que também tem a 2ª dose aos dois meses e uma 3ª dose aos seis meses. 

Já a vacina Tríplice Bacteriana, contra a difteria, tétano e coqueluche é preciso tomar a 1ª dose aos 2 meses, uma 2ª dose aos 4 meses e a 3ª dose aos 6 meses, havendo também um reforço a ser aplicado entre os 15 e 18 meses e aos 4 anos de idade. 

A Tríplice Viral, contra o sarampo, caxumba e rubéola conta com a 1ª dose aos 9 meses e a 2ª dose aos 4 anos. A Hemophilus Influenzae B precisa da aplicação da 1ª dose aos 2 meses, a 2ª dose aos 4 meses e uma 3ª dose aos 6 meses de vida, havendo também a necessidade de aplicação da dose de reforço entre os 15 e 18 meses e aos 4 anos. 

A vacina do Rotavírus requer que a 1ª dose seja administrada dos 2 meses ou aos 3 meses de idade, sendo a idade limite de 3 meses e meio. A 2ª dose é a partir dos 4 meses até 5 meses de idade. 

A Vacina Pneumocócica Conjugada- VPC13 deve ser aplicada aos 2, 4 e 6 meses de vida e o reforço entre 12 e 15 meses. Para crianças entre 1 e 2 anos e não vacinadas são necessárias duas doses com intervalo de dois meses. 

Para combater a Poliomielite é necessário tomar a 1ª dose aos 2 meses, a 2ª dose aos 4 meses e a 3ª dose aos 6 meses e o reforço entre os 15 e 18 meses e aos 4 anos. Vacina Meningocócica ACWY/C tem a 1ª dose aos 3 meses, a 2ª dose aos 5 meses e dois reforços sendo um entre os 12 e 15 meses e outro entre os 5 e 6 anos. 

 A médica acrescentou ainda que para combater a Influenza (gripe) são necessárias duas doses anuais a partir dos 6 meses de vida. A Hepatite tem a 1ª dose aos 9 meses e a 2ª dose aos 18 meses. A Varicela, mais conhecida como catapora, precisa da 1ª dose aos 12 meses e a 2ª dose entre 15 e 18 meses. Para a Febre Amarela, são necessárias uma dose aos nove meses e outra aos 4 anos. 

O combate ao HPV pode ser efetuado com a aplicação da vacina com uma 1ª dose aos 9 anos, a 2ª dose após seis meses e o reforço após cinco anos lembrando que “essa vacina é para meninos e meninas e previne o câncer do colo de útero, ânus, pênis…”, esclareceu a médica. 

Calendário básico adulto 

Ainda no calendário ofertado pelo SUS para a população adulta está a vacina Tríplice Viral que combate sarampo, caxumba e rubéola. “Para quem não tomou na infância, é indicado tomar na vida adulta, entre 20 e 29 anos, destacando que são duas doses com intervalo de 30 dias entre elas” comentou a especialista reforçando que quem tem idade entre 30 e 59 anos precisa apenas de uma dose. 

A imunização de adultos contra a Hepatite B é feita em três doses para quem não foi vacinado durante a infância ou nunca teve a doença. Deve-se tomar a 2ª dose um mês após a 1ª; e a 3ª, seis meses depois da 2ª. Já contra a Influenza a dose é anual. 

Contra a Difteria e Tétano (DT), se tiver o esquema básico em criança com a Tríplice Bacteriana é recomendado fazer apenas a Dupla Bacteriana contra difteria e tétano a cada 10 anos. Caso não tenha o esquema básico deve fazer o esquema de doses com a DT. Para a febre amarela a dose é única. 

No caso dos adultos que não sabem se foram vacinados contra algumas doenças, a médica orientou a se vacinar com a Tríplice Viral: Sarampo, Caxumba e Rubéola, lembrando que na idade entre 20 e 29 anos são duas doses com intervalo de 30 dias entre elas e entre 30 e 59 anos é necessária apenas uma dose. 

Fake News e vacinas contra a Covid-19 

A enfermeira e preceptora do curso de Enfermagem do Centro Universitário Tiradentes (Unit/AL), Lígia Passos, falou, por meio da assessoria de Comunicação da unidade de ensino, sobre a importância de manter a vacinação em dia e reconhecer e combater as “fake News”. 

“Em um cenário no qual a população não possui contato com a produção científica, é extremamente fácil espalhar essas notícias falsas. Enquanto a ciência permanecer inatingível e inalcançável pela população geral, o terreno será cada vez mais fértil para a disseminação de desinformação. Isso porque a maioria dessas notícias é facilmente desmentida. Mas, o distanciamento da população com a academia faz com que muitas vezes elas nem se interessem em procurar as informações verídicas. A educação em saúde e esse papel da IES junto à comunidade é importantíssimo nesse combate às fake News”, analisou. 

Em relação aos questionamentos surgidos especificamente a partir do surgimento das vacinas contra a Covid-19, entre eles o número e o intervalo das doses de reforço, Lígia explicou que “com um tempo depois da dose, a quantidade de anticorpos tende a diminuir. Quando eles ultrapassam um limite mínimo, a proteção que eles conferem pode ser prejudicada. A terceira dose ou dose de reforço vem para proporcionar o aumento da quantidade de anticorpos circulantes no organismo, no que chamamos de ‘booster vacinal’ – reforço. E, ao aumentar a quantidade de anticorpos circulantes, se reduz a chance de cada pessoa se infectar ou reinfectar”. 

Sobre outra dúvida frequente, envolvendo a “rapidez” com a qual as vacinas foram criadas, a enfermeira entende que alguns fatores colaboraram para isso, ressaltando o grande investimento governamental em vários países, que permitiu que as diferentes fases de desenvolvimento da vacina (fases 1, 2 e 3) ocorressem de forma simultânea e sem intervalos.  

“Para iniciar, é necessário descobrir o genoma e é daí que ganhamos tempo. Com 30 dias do processo de infecção, descobrimos através de grandes cientistas que se tratava de um vírus e depois disso, como ele se caracterizava. Após, avançamos para as fases 1, 2, 3, onde todas elas trabalham as questões de segurança e resposta imunológica. A Coronavac, por exemplo, trabalha com vírus inativado, usado nas vacinas de hepatite e influenza. Foram utilizadas tecnologias que vêm sendo aperfeiçoadas desde os anos 50”, explicou. 

Lígia ressaltou, por fim, que a imunização é a melhor forma de prevenir diversas doenças: “As vacinas estimulam o corpo a produzir defesas imunológicas, que nos protegem contra várias enfermidades. A imunização está entre os três eventos que contribuíram para o aumento da expectativa de vida da humanidade, juntamente com o saneamento básico e a descoberta do antibiótico”. 

fonte: gazetaweb

Compartilhe essa informação

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Telegram
WhatsApp

Notícias Relacionadas

Comente