A Hora da Notícia

Pazuello diz que sistema “não colapsou” e reduz pela 4ª vez a previsão de chegada de vacinas

Fala acontece um dia após o país registrar recorde de mortes diárias: 2.349. Ministro também revisa a quantidade de doses para o mês de março
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest
Share on telegram
Share on whatsapp
PRESTAÇÃO DE CONTAS

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, declarou, na quarta-feira (10), que o sistema de saúde brasileiro “não colapsou, nem vai colapsar”. A fala foi proferida no mesmo dia em que o país perdeu 2.349 vidas para a Covid-19, o maior número de mortes em 24h desde o início da pandemia. A declaração de Pazuello também é o contrário do que dizem secretários de Saúde, prefeitos e governadores ao redor do país.

Na semana passada, o jornal “Valor Econômico” noticiou que pessoas no entorno do ministro previam que o Brasil teria 3 mil mortes diárias pela Covid em março.

Ainda na quarta-feira (10), Pazuello afirmou, também, que o Brasil receberia, neste mês, de 22 a 25 milhões de doses de vacinas, “podendo chegar a 38 milhões”. A quantidade é menor do que a última previsão divulgada pelo Ministério da Saúde, no dia 6 de março, de 30 milhões de doses. (Veja detalhes mais abaixo). A redução é a quarta só no mês de março.

Até agora, o Brasil aplicou 9 milhões de doses de vacina – o equivalente a 11,7% da população em grupos prioritários. Só 3,1 milhões de pessoas receberam ambas as doses de algum imunizante.

Recordes de mortes e colapso nos estados

Depois de registrar, em fevereiro, o 2º maior número de mortes mensais desde o início da pandemia, o Brasil teve quatro recordes de mortes vistas em 24h só no mês de março. O primeiro foi no dia 2, quando 1.726 pessoas perderam a vida para a Covid.

No dia seguinte, mais 1.840 pessoas morreram pela doença, outro recorde diário. Os últimos dois picos foram vistos na terça (9), com 1.954 mortes, e na quarta (10), com 2.349 óbitoshttps://da6463f0fa652a364e8f104c0efaf273.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

O colapso na Saúde que Pazuello afirmou que o país não teria também está acontecendo, segundo afirmações feitas por prefeitos, governadores, secretários de Saúde municipais e estaduais e profissionais na linha de frente. Dados de internações em UTIs também levaram a Fiocruz a dar “alerta crítico” para 20 estados.

Alguns estados já tiveram que alugar contêineres e abrir covas para acomodar os mortos pela Covid-19.

Veja algumas situações ao redor do país:

  • No estado de São Paulo, ao menos 30 pessoas com Covid haviam morrido na fila por vagas de UTI até o dia 9. Com o ritmo atual de internações e de criação de novos leitos, o sistema de saúde estadual pode chegar ao colapso em 25 dias.
  • Em Salvador, o secretário de Saúde alertou que a cidade vai entrar em colapso até a manhã de sexta (12). O dono de uma funerária também disse que “vai entrar em colapso” devido à alta na demanda. O governo da Bahia já alugou contêineres para armazenar corpos e ampliou o número de vagas em cemitérios.
  • Recife também teve que abrir novas covas e ao menos um hospital já alugou um contêiner para armazenar os mortos. Uma urgência pediátrica foi fechada para abrigar leitos de Covid-19.
  • Em Divinópolis (MG), o secretário de Saúde afirmou que evita falar em colapso, mas que o município está ‘próximo disso’.
  • Em Teresina, as UTIs atingiram 100% de ocupação no dia 9. O presidente da Fundação Municipal de Saúde afirmou que a demanda por leitos estava maior do que a capacidade local de abrir mais vagas. Um especialista fala em colapso no Piauí.
  • No Rio Grande do Norte, o secretário estadual de Saúde disse que o estado vive “um momento trágico” na pandemia.
  • Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná estão com mais de 90% da capacidade das UTIs esgotadas. No Rio Grande do Sul, a capacidade está acima de 100% desde 2 de março.
  • No Paraná, 42 Unidades Básicas de Saúde (UBS) serão fechadas e transformadas em pronto-atendimento, enquanto as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) passam a atender como unidades de internação para Covid-19.
  • Em Santa Catarina, pacientes chegaram a ser transferidos para o Espírito Santo, mas o serviço terá que ser suspenso após aumento de hospitalizações no outro estado.
  • No Distrito Federal, pacientes com Covid-19 foram deixados no corredor de um hospital com as enfermarias lotadas. Profissionais de Saúde relataram a falta de profissionais e material nos hospitais; o chefe da Casa Civil alertou para a falta de leitos.
  • No Amapá, o maior hospital do estado atingiu 100% de ocupação de UTIs no dia 7. O Ministério Público pediu abertura de mais leitos.
  • No mesmo dia, Mato Grosso tinha 59 pessoas à espera de UTI e pediu ajuda a outros estados para transferir pacientes. Na noite de quarta (10), eram 68 pessoas na fila por um leito intensivo.

Mudanças no cronograma de vacinashttps://da6463f0fa652a364e8f104c0efaf273.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

Na quarta (10), durante a cerimônia de assinatura de novas leis que vão facilitar a compra de vacinas, Pazuello disse que o Brasil receberia, em março, de 22 a 25 milhões de doses da vacina, “podendo chegar a 38 milhões”.

“Sem a produção da Fiocruz e Butantan, nós hoje praticamente não teríamos vacinado ninguém. As doses importadas, negociadas, contratadas, empenhadas por laboratórios internacionais, nós temos muita incerteza de recebê-las. Nós estamos garantidos para março entre 22 e 25 milhões de doses, podendo chegar até 38 milhões de doses”, afirmou Pazuello.

A quantidade é menor do que a divulgada pelo Ministério da Saúde no dia 6 de março. No último documento, a pasta contabiliza 30 milhões de doses. Nesse total, o governo somou as doses das vacinas CoronaVac, Oxford e a primeira parte do contrato firmado com a Aliança Covax.

Veja as últimas mudanças para março:

  • Começo de fevereiro: 46 milhões de doses (cronograma do Ministério da Saúde)
  • 28 de fevereiro: 39,1 milhões de doses (cronograma do Ministério da Saúde)
  • 03 de março: 38 milhões de doses (cronograma do Ministério da Saúde)
  • 06 de março: 30 milhões de doses (cronograma do Ministério da Saúde)
  • 08 de março: Pazuello diz que Brasil terá entre 25 e 28 milhões de doses
  • 10 de março: Pazuello diz que Brasil terá entre 22 e 25 de milhões de doses

O G1 entrou em contato com o Ministério da Saúde para saber se ocorreu alguma alteração no cronograma de entregas disponibilizado pela pasta. Também perguntou quais são as doses garantidas citadas pelo ministro. O ministério não respondeu até a publicação da reportagem.

fonte: Gazetaweb

Compartilhe essa informação

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on pinterest
Pinterest
Share on telegram
Telegram
Share on whatsapp
WhatsApp

Notícias Relacionadas

Comente