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Prejuízos e demissões atingem setor produtivo na pandemia

Associação de Bares e Restaurantes de Alagoas, a Abrasel/AL, indica que 68,9% das empresas já realizaram dispensas de pessoal
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PRESTAÇÃO DE CONTAS

Bares e restaurantes vivem situação de demissão em massa e fechamento após novo decreto do governo de Alagoas foto: Ailton Cruz

Os primeiros números liberados pelo setor de bares e restaurantes, que integra parte do setor produtivo econômico de Alagoas, indicam o que todos temiam: aumento das demissões. Em pesquisa realizada ente os filiados, a Abrasel/AL indica que 68,9% das empresas já realizaram dispensas. Das 31,1% das empresas que ainda não mexeram em seus quadros, 60,9% acredita que a continuar o impedimento de funcionar normalmente o próximo passo é diminuir o quadro.

Segundo explicou o presidente da entidade, Thiago Falcão, o maior complicador foram as empresas que ficaram sem funcionar a partir das 20h, ainda na fase laranja e que depois foram alcançadas pela fase vermelha. Aí o complicador foi ainda maior, porque quem não abria permaneceu fechado, e quem funcionava, passou a não poder atender no salão, contando com o “pague e leve” ou delivery.

“Desde o início nos preocupávamos com as empresas, a continuidade de funcionamento, além das demissões. Eu mesmo tive que mexer com meus colaboradores e isso não agrada a ninguém”, havia revelado Thiago.

Até o momento, a chamada ajuda anunciada pelo governo do Estado não foi capaz de alterar a realidade de quem vive de negócios. Sem vendas não há capital circulante e sem isso não há como cumprir com obrigações sociais, entre elas a preservação dos postos de trabalho.

Por isso, o levantamento da Abrasel é ainda mais revelador. Se em um mês, decorrentes de dois decretos mais de 50% sofrem impactos e como a tendência é de mais paralisia econômica, além das demissões, o futuro pode ser o fechamento das empresas. Isto porque quando se reduz os quadros, é para garantir o mínimo de saúde financeira. Quando não há o “suspiro”, a pressão das contas e falta de capital de giro, afeta as reservas. Isso, porém, não é uma realidade a maioria.

Conforme lembra a Abrasel, os empresários que se mantiveram em funcionamento, já vinham impactados com a queda nas vendas decorrentes do que foi o efeito da pandemia, em 2020. Ou seja, quem resistiu chegou “cambaleante” em 2021 e acabou levando uma rasteira com o endurecimento das medidas de distanciamento e isolamento social.

Bares e restaurantes demitem funcionários em Alagoas por causa da pandemia — FOTO: Arquivo/Gazetaweb

Um outro detalhe sobre os 60,9% de quem pensa em demitir, não consegue porque não tem capital para honrar as obrigações. Sendo assim tentam acordos de espera dos trabalhadores, mas sem pagar salários, porém, temendo processos trabalhistas. Essa é a realidade das empresas que mantinham trabalhadores com carteira assinada. Do universo dos entrevistados, apenas 11,4% está com solidez para não promover demissões.

“Vista a continuidade das limitações impostas pelo decreto sanitário, o quadro que projeta demissões ainda assusta. 60,9% dos estabelecimentos ainda farão redução do seu quadro, e o gráfico que aponta o percentual dessas baixas apesar de estar dividido, também preocupa pela quantidade de respostas e votos acima de 30%, que somam 57,5% das empresas participantes do levantamento em questão”, revela a pesquisa da Abrasel.

Com tantas dúvidas sobre o que virá, a partir do que vivemos hoje, 8,2% das empresas decidiram não insistir em funcionar. Outras 18,2% só têm atendimento no salão, sem permanência, enquanto outras 19,8% conseguem funcionar de segunda a sexta-feira com delivery e pague/leve. A grande maioria 53,6% está com salão, de segunda a sexta, mas delivery, pague e leve nos finais de semana.

“Apesar das limitações quanto ao funcionamento (de horário e dias para os que estão na fase laranja), os estabelecimentos ainda tentam entender a melhor forma de funcionar, tendo menos prejuízo, já que lucro, de fato, não é contabilizado há alguns meses. Porém, a incerteza do cenário faz com que 8,2% dos estabelecimentos ainda optem por permanecerem fechadas, visto que abrir o salão por poucas horas ao dia pode nem pagar as contas que obrigatoriamente são feitas (como energia e colaboradores)”, completa a pesquisa Abrasel.

SOLIDARIEDADE

Com o salão sem funcionar, o movimento de caixa cai para 30% ou 40%, nos melhores casos, porque a realidade de algumas empresas que não tinham força no delivery, nem no pague e leve, já que muitos consumidores têm medo de sair de casa, o trabalhador do atendimento sofre diretamente com essa situação.

Os garçons, que muitas vezes além da carteira assinada, conta com as gorjetas e até produtividade do dia, tem sua renda diminuída além de conviver diariamente como “fantasma” da demissão. Foi aí que surgiu o projeto solidário “Adote um Garçom” criado pelo produtor de eventos, Dinho Lopes. A ideia é a partir de doações de amigos, empresários, profissionais liberais, donas de casa, clientes dos bares arrecadar fundos para comprar cestas básicas.

Com a chegada da segunda onda da pandemia, a ideia que havia surgido no ano passado a partir das mobilizações que ocorreram para ajudar músicos e profissionais do setor de entretenimento, este ano ele decidiu aprimorar. Centralizou a aquisição e distribuição num único local, e manteve contato com as empresas afetadas para indicarem os mais necessitados.

“Após uma rápida pesquisa, centralizei a compra e distribuição num supermercado com o custo de R$ 80,00 por cesta. Criei uma rotina de reserva das cestas pela manhã e distribuição á tarde após listar os nomes dos bares e restaurantes que indicam seus ex ou atuais colaboradores que estão em maior dificuldade financeira e em número de 15 por dia e dirigem-se ao supermercado para as 16 horas receberem seus alimentos”, explicou Dinho.

O resultado é que a ideia contagiou a cidade e com a repercussão da iniciativa estão surgindo mais voluntários. Mas, segundo o produtor cultural, tão importante quanto a doação é como os produtos têm feito a diferença na realidade das famílias beneficiadas.

“Está sendo muito gratificante ser o intermediador dessas doações pois o sentimento de gratidão é mútuo. De nós que doamos com as nossas contribuições, dos garçons que as recebem e nos mandam mensagens e vídeos com a esposa, filhos, avós com uma alegria estampada no rosto por ter garantido mais umas semanas de alimentação para os seus, bem como a minha de estar conseguindo mostrar a todos uma forma de solidariedade na hora em que essas pessoas mais precisam, pois, o fato é que muita gente quer e se propõe a ajudar, mas muita das vezes não sabe como”, destacou o idealizador.

fonte: Gazetaweb

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