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Rede pública de ensino retoma aula presencial com vacinação incompleta de professores

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Alagoas é um dos últimos estados a retomar as aulas presenciais na rede pública de ensino – tanto estadual como municipais. Após um ano e meio sem pisar na escola, e com atividades estritamente online, os alunos voltarão às salas de aula (os do Estado) a partir desta segunda-feira (16). O desafio é enorme para cumprir os protocolos exigidos pela ciência e garantir o retorno seguro da comunidade escolar. Quem defende o direito dos professores está preocupado com a volta, temendo o risco de contaminação pelo coronavírus, já que uma parte da comunidade não completou a vacinação.

A presidente do Sinteal [Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Alagoas], Maria Consuelo Correia, diz não ser contra a retomada presencial das aulas, mas reforça a importância de que isto só aconteça com total segurança, levando em consideração que boa parte dos profissionais da educação não completou o ciclo da vacinação contra a Covid-19.

“Apesar do anúncio do governo da antecipação, a gestão da vacina é dos municípios, e não acreditamos que seja seguro o retorno antes que seja aplicada a segunda dose e haja o intervalo recomendado para garantir a imunização. Recebemos, esta semana, a confirmação de dois casos da variante delta em Alagoas, o que se configura em mais um alerta. A volta às aulas presenciais pode ser um fator perigoso de aceleração da contaminação”, avalia a sindicalista.

Além disso, Consuelo afirma que a preocupação não é só com a vacina, mas também com as condições adequadas das escolas. “Devem-se ter ambientes ventilados, material sanitizante, espaço que possibilite o distanciamento social e profissionais suficientes para garantir as condições adaptadas, já que o trabalho será bem maior neste formato. Estamos cobrando as condições dos gestores, e caso o retorno aconteça mesmo, estamos organizados para fiscalizar se as condições adequadas para reduzir ao máximo o risco, não só para os trabalhadores da educação, mas para toda a comunidade escolar”, completa.

Outra situação que está provocando dores de cabeça na comunidade escolar é a problemática da instabilidade do solo em regiões afetadas pela mineração. Várias unidades de ensino precisaram ser remanejadas de local e os alunos foram transferidos, gerando uma série de transtornos. O Sinteal informa que está acompanhando com ansiedade a readequação destes espaços.

Juntamente com o Conselho Municipal de Educação de Maceió, neste sério problema que envolve as escolas da Semed, e também da Seduc, estamos insistentemente buscando o diálogo em relação à pauta das unidades escolares afetadas pelo afundamento do solo causado pela Braskem. Através de visitas in loco e por depoimentos colhidos nas escolas, o sindicato tem acompanhado o remanejamento dos estudantes e o destino dos profissionais dessas escolas”, destacou Consuelo.

Ela opina que os prejuízos são imensos aos estudantes, professores e diretores destas escolas atingidas. “O Sinteal tem se mantido atento e à disposição para o diálogo permanente, em busca da resolução dos problemas. Por fim, quanto ao funcionamento, até então tem sido remoto e esperamos que, no retorno presencial, todas tenham garantidos os seus espaços com dignidade e segurança”, avalia.

Por outro lado, o secretário estadual de Educação, Rafael Brito, afirmou que as escolas da rede estão prontas para a retomada. “A Educação, como um todo, nunca viveu uma crise como a causada pela Covid-19 aqui no Brasil. Mais de um ano e meio de escolas fechadas e de convivência em ambiente escolar perdida. A equipe da Secretaria da Educação tem se esforçado ao máximo para que a gente possa fazer esse retorno, agora no próximo dia 16, de forma segura”.

Ele diz entender que este é o momento oportuno de retomar as aulas presenciais e que é o desejo da maioria da comunidade escolar.

Escolas passaram a pandemia na modalidade aula remota – Foto: FOTO: José Ronaldo

As aulas presenciais na rede pública municipal de ensino de Maceió têm previsão de retomada para o dia 23 de agosto de 2021, de forma escalonada, progressiva e híbrida, conforme portaria da Secretaria Municipal de Educação (Semed), publicada no fim de julho, no Diário Oficial de Maceió.

O secretário municipal de Educação, Elder Maia, explicou que, há mais de um mês, a Semed está adequando a infraestrutura das escolas. São 148 unidades, incluindo as que serão inauguradas nos próximos dias. Estão sendo feitos serviços de capinagem, pintura, sanitização e etiquetagem com marcação das informações dos protocolos de segurança a serem seguidos pelos frequentadores.

“Estimamos que, no dia 23 de agosto, cerca de 80% das escolas voltem (são 75) às atividades presenciais As demais têm algum dano que precisa ser reparado, o que será resolvido em até duas semanas, para liberá-las ao retorno paulatino das atividades presenciais”, informa. As atividades presenciais serão marcadas pelo escalonamento de até 50% no espaço da escola, por turno e sempre revezando por turma. 

De acordo com o secretário, o ensino híbrido se refere ao desenvolvimento de atividades pedagógicas, realizadas de forma presencial e não presencial, para os estudantes de uma mesma turma. Os alunos participarão das aulas presenciais por revezamento diário, inicialmente com até 60% do número da turma, a depender da capacidade da sala, respeitado o distanciamento recomendado, sendo gradativamente ampliado, conforme o contexto da pandemia da Covid-19.

Quanto ao transporte escolar, o município garante que 13.400 estudantes da rede pública serão beneficiados. Os motoristas foram treinados e os veículos são novos. E revelou que outros itens estão sendo providenciados, a exemplo da alimentação escolar. “Vamos voltar a destinar os recursos às escolas para a merenda. Durante a pandemia, a verba foi revertida para as famílias providenciarem em casa”.

Elder Maia destacou que a prefeitura contratou quase 200 novos professores em sete meses de gestão. Há previsão de outras convocações para suprir a carência na rede. “Mais uma questão é a retirada dos inservíveis. Há mais de 10 anos as escolas conviviam com este problema que representa todo tipo de risco e ameaça à saúde da comunidade escolar. Já retiramos estes materiais de mais de 50 escolas e já entregamos EPIs para todas elas, além de equipamentos (como TVs, ventiladores, fogões, ar-condicionado). Vamos voltar com segurança e cumprindo todos os protocolos”, garantiu.

Ciclo emergencial

A medida tomada pela Semed se baseia, dentre outras diretrizes, à Portaria Semed nº 12, de 02 de fevereiro de 2021, que institui, em caráter excepcional, a organização e o funcionamento da oferta do Ensino Fundamental e suas modalidades, reunindo em um Ciclo Emergencial Continuum Curricular, dois anos letivos consecutivos para cumprimento dos objetivos, direitos de aprendizagem e desenvolvimento, competências e habilidades, nas unidades de ensino da rede pública municipal de Maceió, relativos ao período 2020/2021.

Para a deputada Jó Pereira (MDB), a paralisação das aulas, no ano passado, devido à pandemia, aconteceu de maneira desorganizada. Agora, após um ano e meio, ela diz que é tempo suficiente para que a retomada das atividades presenciais aconteça, com planejamento, respeito às determinações da ciência e avanço da vacinação.

“É imprescindível que a rede pública retome as atividades presenciais urgentemente. A rede privada já voltou. A pandemia deu luz nas desigualdades entre a educação pública e privada. Não podemos deixar que os estudantes da rede pública, que mais precisam, fiquem prejudicados na aprendizagem, perdendo o vínculo afetivo com os professores. Precisamos da retomada para que estes alunos possam recuperar minimamente o aprendizado”, avalia. 

fonte: Gazetaweb

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